Mudanças entre as edições de "Firewall Servidores Mikrotik"
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O objetivo desse documento é descrever um padrão de firewall para proteção de servidores (aplicações) em roteadores mikrotik, baseado em /'''ip firewall filter''', adotando um modelo mais simples de gerenciar suas regras. O conceito principal é negar por aplicação, ou seja, cada servidor (aplicação) possui sua própria chain e apenas os serviços necessários são abertos, utilizando um drop para cada aplicação individual. | O objetivo desse documento é descrever um padrão de firewall para proteção de servidores (aplicações) em roteadores mikrotik, baseado em /'''ip firewall filter''', adotando um modelo mais simples de gerenciar suas regras. O conceito principal é negar por aplicação, ou seja, cada servidor (aplicação) possui sua própria chain e apenas os serviços necessários são abertos, utilizando um drop para cada aplicação individual. | ||
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Por padrão do mikrotik o firewall dele é ACCEPT, ou seja, ele não irá negar o trafego por padrão como normalmente os firewalls no mercado realizam, sendo assim precisamos realizar uma regra de DROP, o mais comum é fazer um DROP GERAL no final, com este tipo de configuração o DROP afeta o ambiente completo, sendo muito comum acabar o DROP ser desabilitado em momento de problema e nunca mais ser habilitado novamente (é raro mas acontece sempre kkkk), assim foi pensado em realizar o firewall por CHAIN, ou seja, cada servidor (aplicação) possui seu firewall independente, ou seja, o que é feito na chain de um servidor não impacta no outro, cada servidor possui seu drop, isolando as regras e deixando mais facil a gerencia com ambiente com bastante aplicações, para isto é utilizado JUMP e CHAIN, basicamente é criado uma CHAIN com nome da aplicação onde tudo que for em destino ao IP da aplicação desejada irá redirecionar para aquela CHAIN onde ela irá liberar as portas necessárias e o restante irá bloquear. | Por padrão do mikrotik o firewall dele é ACCEPT, ou seja, ele não irá negar o trafego por padrão como normalmente os firewalls no mercado realizam, sendo assim precisamos realizar uma regra de DROP, o mais comum é fazer um DROP GERAL no final, com este tipo de configuração o DROP afeta o ambiente completo, sendo muito comum acabar o DROP ser desabilitado em momento de problema e nunca mais ser habilitado novamente (é raro mas acontece sempre kkkk), assim foi pensado em realizar o firewall por CHAIN, ou seja, cada servidor (aplicação) possui seu firewall independente, ou seja, o que é feito na chain de um servidor não impacta no outro, cada servidor possui seu drop, isolando as regras e deixando mais facil a gerencia com ambiente com bastante aplicações, para isto é utilizado JUMP e CHAIN, basicamente é criado uma CHAIN com nome da aplicação onde tudo que for em destino ao IP da aplicação desejada irá redirecionar para aquela CHAIN onde ela irá liberar as portas necessárias e o restante irá bloquear. | ||
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* IP de saída da VPN | * IP de saída da VPN | ||
* Evite utilizar redes muito amplas, tente deixar o mais restrito possível, evite usar a RFC1918 inteira. | * Evite utilizar redes muito amplas, tente deixar o mais restrito possível, evite usar a RFC1918 inteira. | ||
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<code>/ip firewall address-list | <code>/ip firewall address-list | ||
add list=REDES_CONFIAVEIS address=192.168.0.0/16 comment="Rede interna" | add list=REDES_CONFIAVEIS address=192.168.0.0/16 comment="Rede interna" | ||
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Sempre valide os endereços antes de adicioná-los. | Sempre valide os endereços antes de adicioná-los. | ||
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Estas regras devem estar sempre no início do firewall, garantindo o funcionamento correto das sessões já criadas. | Estas regras devem estar sempre no início do firewall, garantindo o funcionamento correto das sessões já criadas. | ||
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add chain=forward connection-state=established,related action=accept \ | add chain=forward connection-state=established,related action=accept \ | ||
comment="ACEITA CONEXÕES ESTABELECIDAS"</code> | comment="ACEITA CONEXÕES ESTABELECIDAS"</code> | ||
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* Manter conexões ativas | * Manter conexões ativas | ||
* Evitar reprocessamento de pacotes | * Evitar reprocessamento de pacotes | ||
* Garantir estabilidade dos serviços | * Garantir estabilidade dos serviços | ||
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Este bloco centraliza o tratamento de redes internas, VPNs ou endereços administrativos. | Este bloco centraliza o tratamento de redes internas, VPNs ou endereços administrativos. | ||
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* Padronizar acessos de gestão | * Padronizar acessos de gestão | ||
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Estas regras controlam o acesso ao próprio roteador ou a endereços de gestão publicados. | Estas regras controlam o acesso ao próprio roteador ou a endereços de gestão publicados. | ||
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* Impedir tentativas não autorizadas | * Impedir tentativas não autorizadas | ||
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Regras dedicadas ao servidor Zabbix, permitindo apenas os serviços necessários para acesso e operação. | Regras dedicadas ao servidor Zabbix, permitindo apenas os serviços necessários para acesso e operação. | ||
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* Manter o controle isolado por aplicação | * Manter o controle isolado por aplicação | ||
* Desta forma somente liberamos a porta 80,443 e 3000 para internet (so libere para internet se realmente precisar acessar externo e não possa acessar via VPN por exemplo), evite o máximo aplicações publicas caso não existe 100% da necessidade, desta forma somente as portas necessárias ficariam abertas, por exemplo o SSH estaria fechado para todos neste caso, exceto para REDES_CONFIAVEIS | * Desta forma somente liberamos a porta 80,443 e 3000 para internet (so libere para internet se realmente precisar acessar externo e não possa acessar via VPN por exemplo), evite o máximo aplicações publicas caso não existe 100% da necessidade, desta forma somente as portas necessárias ficariam abertas, por exemplo o SSH estaria fechado para todos neste caso, exceto para REDES_CONFIAVEIS | ||
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Somente endereços presentes na <code>RESOLVE-DNS</code> conseguem consultar o DNS. | Somente endereços presentes na <code>RESOLVE-DNS</code> conseguem consultar o DNS. | ||
Edição das 15h48min de 19 de janeiro de 2026
1. Introdução
O objetivo desse documento é descrever um padrão de firewall para proteção de servidores (aplicações) em roteadores mikrotik, baseado em /ip firewall filter, adotando um modelo mais simples de gerenciar suas regras. O conceito principal é negar por aplicação, ou seja, cada servidor (aplicação) possui sua própria chain e apenas os serviços necessários são abertos, utilizando um drop para cada aplicação individual.
2. Conceito do Firewall por CHAIN
Por padrão do mikrotik o firewall dele é ACCEPT, ou seja, ele não irá negar o trafego por padrão como normalmente os firewalls no mercado realizam, sendo assim precisamos realizar uma regra de DROP, o mais comum é fazer um DROP GERAL no final, com este tipo de configuração o DROP afeta o ambiente completo, sendo muito comum acabar o DROP ser desabilitado em momento de problema e nunca mais ser habilitado novamente (é raro mas acontece sempre kkkk), assim foi pensado em realizar o firewall por CHAIN, ou seja, cada servidor (aplicação) possui seu firewall independente, ou seja, o que é feito na chain de um servidor não impacta no outro, cada servidor possui seu drop, isolando as regras e deixando mais facil a gerencia com ambiente com bastante aplicações, para isto é utilizado JUMP e CHAIN, basicamente é criado uma CHAIN com nome da aplicação onde tudo que for em destino ao IP da aplicação desejada irá redirecionar para aquela CHAIN onde ela irá liberar as portas necessárias e o restante irá bloquear.
O fluxo do trafego é pensado em aplicações que necessitam estar publicadas para internet ou somente para endereços específicos, então o trafego no geral vem da WAN do mikrotik e assim utilizando /ip firewall filter irá realizar filtros individuais para cada servidor sendo FORWARD pois o tráfego passa por ele e de INPUT para endereços públicos no próprio roteador, por exemplo endereço de acesso do equipamento.
3. Regras de Firewall IPv4
A address-list REDES_CONFIAVEIS é utilizada para identificar redes e endereços IP que possuem permissão administrativa, como acessos de NOC, VPN, jump server ou redes internas confiáveis.
Todas as regras de gestão e administração do firewall fazem referência a esta lista, evitando a necessidade de repetir IPs diretamente nas regras.
📌 Conceito
A REDES_CONFIAVEIS deve conter apenas origens confiáveis, pois qualquer endereço incluído nela poderá:
- Acessar serviços administrativos
- Ignorar regras específicas de servidores
- Ter prioridade no fluxo do firewall
⚠️ Nunca adicione IPs públicos ou redes desconhecidas a esta lista.
🧩 Tipos de endereços recomendados
Normalmente, a lista pode conter:
- Redes internas (LAN / DC)
- Endereços de VPN
- IPs fixos do NOC
- Jump servers
- Hosts de administração
Exemplos comuns:
192.168.0.0/1610.0.0.0/8172.16.0.0/12- IP público fixo do escritório
- IP de saída da VPN
- Evite utilizar redes muito amplas, tente deixar o mais restrito possível, evite usar a RFC1918 inteira.
🔧 Criação da Address-List
Exemplo básico
/ip firewall address-list
add list=REDES_CONFIAVEIS address=192.168.0.0/16 comment="Rede interna"
add list=REDES_CONFIAVEIS address=10.0.0.0/8 comment="Rede privada"
add list=REDES_CONFIAVEIS address=200.200.200.10 comment="IP fixo NOC"
🔐 Uso com VPN
Caso exista VPN, é recomendado adicionar apenas a rede da VPN, e não endereços individuais:
/ip firewall address-list
add list=REDES_CONFIAVEIS address=10.99.0.0/24 comment="Rede VPN Administrativa"
Isso facilita manutenção e crescimento futuro.
🛡️ Boas práticas
- Utilize comentários claros em cada entrada
- Revise periodicamente a lista
- Remova IPs temporários após uso
- Evite listas muito amplas sem necessidade
⚠️ Impacto no Firewall
Qualquer tráfego originado de endereços presentes na REDES_CONFIAVEIS:
- Será aceito diretamente nas regras de forward e no input
- Terá acesso aos serviços administrativos
- Não passará pelas regras específicas de servidores
Por isso, esta lista deve ser tratada como zona de alta confiança.
📝 Observação Final
A correta definição da REDES_CONFIAVEIS é fundamental para a segurança do ambiente.
Um erro nesta lista pode resultar em exposição administrativa indevida.
Sempre valide os endereços antes de adicioná-los.
3.2 Conexões estabelecidas
Estas regras devem estar sempre no início do firewall, garantindo o funcionamento correto das sessões já criadas.
ip firewall filter
add chain=input connection-state=established,related action=accept \
comment="ACEITA CONEXÕES ESTABELECIDAS"
add chain=forward connection-state=established,related action=accept \
comment="ACEITA CONEXÕES ESTABELECIDAS"
Objetivo
- Manter conexões ativas
- Evitar reprocessamento de pacotes
- Garantir estabilidade dos serviços
3.3 Conexões de redes confiáveis
Este bloco centraliza o tratamento de redes internas, VPNs ou endereços administrativos.
Todo tráfego originado dessas redes é aceito diretamente no forward e no input, sem passar pelas regras específicas de servidores, somente tenha cuidado com o que libera, evite liberar por exemplo seu prefixo completo de IPv4, libere IPs específicos, como /32, a partir do momento que você libera o seu bloco completo seu usuário final, uma maquina comprometida dentro da infraestrutura pode acessar aquela aplicação que muita das vezes pode não ser o necessário.
add action=jump chain=forward src-address-list=REDES_CONFIAVEIS \
jump-target=REDES_CONFIAVEIS comment="REDES CONFIAVEIS"
add action=jump chain=input src-address-list=REDES_CONFIAVEIS \
jump-target=REDES_CONFIAVEIS comment="REDES CONFIAVEIS"
add action=accept chain=REDES_CONFIAVEIS
Objetivo
- Facilitar administração
- Evitar repetição de regras
- Padronizar acessos de gestão
3.4 Regra para INPUT
Estas regras controlam o acesso ao próprio roteador ou a endereços de gestão publicados.
Somente redes previamente autorizadas podem acessar serviços administrativos, como winbox e ssh. Além de você ter o /ip service o bloqueio de ips de acesso ao bloquear no service o mikrotik ainda continua respondendo a porta, ele não bloqueia a porta e sim quem pode acessa-la, diferentemente do firewall que o roteador parará de escutar a porta para IPs fora da range liberada.
As redes liberadas para acesso do seu roteador devem estar na address list REDES_CONFIAVEIS, antes de aplicar valide que esteja a rede na sua address list.
add action=jump chain=input dst-address=X.X.X.X jump-target=CE-DMZ \
comment="CE-DMZ INPUT"
add action=accept chain=CE-DMZ protocol=tcp dst-port=22,8291 \
src-address-list=REDES_CONFIAVEIS
add action=accept chain=CE-DMZ protocol=udp dst-port=22,8291 \
src-address-list=REDES_CONFIAVEIS
add action=accept chain=CE-DMZ protocol=icmp
add action=drop chain=CE-DMZ
Objetivo
- Proteger serviços administrativos
- Restringir acesso por origem
- Impedir tentativas não autorizadas
3.5 Aplicação de exemplo (ZABBIX/GRAFANA)
Regras dedicadas ao servidor Zabbix, permitindo apenas os serviços necessários para acesso e operação.
Qualquer outro tráfego destinado a este servidor é descartado.
add action=jump chain=forward dst-address=X.X.X.X jump-target=Zabbix \
comment="ZABBIX SERVER"
add action=accept chain=Zabbix protocol=tcp dst-port=80,443,3000
add action=accept chain=Zabbix protocol=icmp
add action=drop chain=Zabbix
Objetivo
- Limitar exposição do servidor
- Bloquear portas não utilizadas
- Manter o controle isolado por aplicação
- Desta forma somente liberamos a porta 80,443 e 3000 para internet (so libere para internet se realmente precisar acessar externo e não possa acessar via VPN por exemplo), evite o máximo aplicações publicas caso não existe 100% da necessidade, desta forma somente as portas necessárias ficariam abertas, por exemplo o SSH estaria fechado para todos neste caso, exceto para REDES_CONFIAVEIS
3.6. Aplicação de exemplo (DNS)
Somente endereços presentes na RESOLVE-DNS conseguem consultar o DNS.
Qualquer outra origem é descartada, evitando DNS aberto e abusos.
A lista normalmente contém:
- Blocos IPv4 públicos dos clientes
- Rede de CGNAT (
100.64.0.0/10) por padrão tente fazer as requisições para seu servidor de DNS não passar por CGNAT, com exemplo com exceção no PBR.
🔧 Address-List RESOLVE-DNS
/ip firewall address-list
add list=RESOLVE-DNS address=100.64.0.0/10 comment="CGNAT clientes"
add list=RESOLVE-DNS address=187.45.120.0/24 comment="Cliente ISP A"
add list=RESOLVE-DNS address=200.200.200.0/22 comment="Meu bloco"
🔐 Regras de Firewall – DNS Anycast
Os IPs Anycast utilizados são:
200.200.200.1– Primário200.200.200.2– Secundário
Todo tráfego destinado a esses IPs é tratado na chain DNS.
/ip firewall filter
add chain=forward dst-address=200.200.200.1 action=jump jump-target=DNS comment="DNS PRIMARIO"
add chain=forward dst-address=200.200.200.2 action=jump jump-target=DNS comment="DNS SECUNDARIO"
add chain=DNS protocol=icmp action=accept comment="ICMP DNS"
add chain=DNS protocol=udp dst-port=53 src-address-list=RESOLVE-DNS action=accept comment="DNS UDP autorizado"
add chain=DNS action=drop comment="DROP DNS NAO AUTORIZADO"
🛡️ Boas práticas
- Nunca permitir DNS sem
address-list - Separar lista de DNS de listas administrativas
- Manter comentários claros por cliente
- Revisar blocos removidos ou inativos
- Evitar liberar
0.0.0.0/0
📝 Observação
A RESOLVE-DNS autoriza apenas resolução de nomes, não acesso administrativo.
Este modelo garante:
- DNS fechado
- Controle por cliente
- Segurança contra abuso e amplificação